O medo

TENHA MEDO DO QUE O GOVERNO PODE FAZER COM VOCÊ. NO BRASIL GOVERNAR É SATISFAZER NECESSIDADES FISIOLÓGICAS.

10 de mai. de 2009

NEM O PASSADO CONDENA

O deputado gaúcho-sextelefonador, Sérgio iMoraes que, irritado com jornalistas que cobravam uma atuação mais séria com relação ao caso do castelo de Edmar Moreira, o que pagava para si mesmo com dinheiro público as contas que fazia, ganhou seus 15 minutos de fama ao esbravejar que "eu estou me lixando para a opinião pública! Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, batem e nós nos reelegemos mesmo assim".

Não disse nada mais do que pensava. Seus eleitores que se explodam. Mas isso é pouca porcaria para quem tem o currículo que ele ostenta: deputado federal de primeira viagem, Sérgio iMoraes presidiu o Conselho de Ética até março. Sua mais notável façanha no cargo foi arquivar o processo contra o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), que estava atolado na lama em que escorriam os recursos do BNDES.

Antes de ser isso que pensa que é, cumpriu dois mandatos de vereador e dois de prefeito em Santa Cruz do Sul (RS). Foi também bideputado estadual. Mais do que mandatos, porém, ele coleciona processo em sua folha corrida. Rolam oito acusações contra ele no Supremo Tribunal Federal. Algumas notáveis, como a instalação de um telefone público na casa do próprio pai quando ainda era prefeito. Outras são menos engraçadas e mais constrangedoras: já respondeu processo por receptação de joias roubadas e por envolvimento com uma rede de prostituição –gandaia que lhe valeu uma condenação em primeira instância. E que está devidamente sublinhada nos currículos que exibe em campanha.

Isso tudo tem contado ponto a seu favor e lhe dá a pretensão, sem água benta, de espezinhar as denúncias dos jornalistas que só têm servido para reelegê-lo sucessivamente. E não só a ele. Serviram para eleger também sua mulher para o cargo de prefeita de Santa Cruz do Sul e o filho vereador da boa e velha Capital do Fumo - lugar em que nem sempre onde há fumaça, há fogo.

Nada disso causa espanto. O que provoca arrepio é saber que um passado como esse de Sérgio iMoraes não é levado em conta na hora em que é consagrado pelos seus pares como integrante do Conselho de Ética da Câmara. Provoca arrepio, mas também não causa qualquer admiração.